LURA

Estudava educação física especializando-se mesmo em natação, em Lisboa, quando Juka, cantor de São Tomé, a convidou a participar no seu disco.“Eu tinha dezassete anos e era suposto eu fazer apenas coros, mas no final, Juka pediu-me para cantar um dueto com ele. Eu nunca pensei cantar, mas ele insistiu,” relembra Lura. Foi então que percebeu que tinha uma voz com um tom profundo e sensual. O resultado foi um sucesso e logo um produtor português a ajudou a gravar o seu primeiro álbum, um disco de dança direcionado à sua geração. Tinha então 21 anos. “O disco foi destinado principalmente às discotecas,” explica, mas apesar do cariz comercial do álbum, uma música, “Nha Vida” (Minha Vida), viria a ser alvo de grande atenção, ao ser incluído no disco Red Hot + Lisbon, no ano seguinte, em 1997.

A Lusafrica descobre Lura aquando do seu dueto com Bonga em 2000 no tema "Mulemba Xangola" e assina com a artista, produzindo em 2004, Di Korpu Ku Alma (De Corpo e Alma), o primeiro disco verdadeiramente cabo-verdiano de Lura, que rapidamente galga todas as fronteiras devido ao sucesso de "Na Ri Na". Em 2005, o álbum sai em mais de 10 países, incluindo os EUA, Itália (onde ficou entre os mais vendidos durante o verão), Inglaterra (onde foi nomeado para os "BBC World Music Awards"). Sobre Di Korpu Ku Alma, o escritor José Eduardo Agualusa escreveu, "…o futuro da música cabo-verdiana já tem nome, e esse nome é Lura", o jornal britânico The Independent disse "… quando sua carreira internacional decolar, esta menina vai encher estádios." Com este álbum, Lura foi nomeada em França ", em 2006 para os “Victoires de la Musique" na categoria de melhor álbum. Com o seguinte disco, M'bem di Fora (Venho de Fora), editado em Novembro de 2006, Lura viajou por todo o mundo e conquistou um público cada vez mais fiel e atento à sua música. Três anos mais tarde, Eclipse vem confirmar o imenso talento de Lura, uma jóia da nova geração cabo-verdiana, que ainda assim afirma: "(...a minha carreira é uma surpresa constante, desde a descoberta da minha voz na adolescência até hoje. Eu vivo o dia a dia, mas de uma coisa tenho a certeza, que cantarei para o resto da minha vida, …)
Em 2010, a Lusafrica edita The Best of Lura, um álbum que reúne os seus melhores temas e inclui “Moda Bô”, o tema de sua autoria dedicado à Diva dos Pés Descalços e gravado em dueto nas primeiras semanas de 2010. O álbum inclui ainda um DVD com um concerto de Lura filmado pela RTP.

Como qualquer outro artista cabo-verdiano, Lura ficou desolada quando Cesaria Evora faleceu em Dezembro de 2011. Um ano depois, prestava uma sentida homenagem em sua memória, com o tema “Nós Diva”, apenas divulgado no YouTube. Decidida a vivenciar a realidade das suas raízes, Lura mudando-se para a cidade da Praia, em Cabo Verde, fortalecendo laços com músicos e compositores do arquipélago, mas continuando a actuar um pouco por todo o mundo para alegria dos seus fans. O regresso ao estúdio para a gravação de Herança acontece um ano depois, no início de 2015, com o lançamento agora previsto para o mês de Outubro. Vibrante, tremendamente dançável e puramente cabo-verdiano, Herança foca a real energia do arquipélago, o compasso e ritmo do funaná, em temas como “Maria di Lida”, “Sabi di Más” e “Ness Tempo di Nha Bidjissa”. Herança retrata a intensidade cabo-verdiana, das suas gentes, tradições e da sua música na mais melodiosa e carismática voz de toda uma geração. Na voz de Lura, cada tema do disco é a redescoberta da essência da mestiçagem e da música tradicional crioula feito canto universal, no segredo mais bem guardado de continente africano: Cabo Verde.